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Técnico

24 Jun 2026

O F2 do Vacon é sobretensão no barramento CC: a tensão contínua interna passou do limite que o estágio de potência suporta e o drive cortou a saída para se proteger. É um dos códigos mais mal interpretados da família NX e do Vacon 100, porque quase todo mundo procura o problema na rede — e na maioria das vezes ele está na desaceleração da máquina. Entender de onde vem essa energia extra é o que separa um ajuste de dois minutos de uma troca desnecessária de equipamento. Na Ozora o reparo fica entre 10% e 25% do valor de um equipamento novo, com diagnóstico gratuito, laudo em até 24h e garantia de 180 dias.

O Que Significa

O barramento CC é o reservatório de energia entre o retificador de entrada e os IGBTs de saída. Em um drive de 380–415 V, ele trabalha por volta de 540 a 560 V em regime, e o limite de trip fica acima disso com folga pequena. Qualquer energia que chegue ao barramento sem ter para onde ir sobe essa tensão em milissegundos.

Existem duas origens possíveis para essa energia. A primeira é externa: a rede subiu, houve surto de manobra, banco de capacitores de correção de fator de potência chaveou perto. A segunda, muito mais comum, é interna ao processo: o motor virou gerador. Isso acontece toda vez que a carga gira mais rápido que o campo do estator — desaceleração com inércia alta, içamento descendo, esteira em declive, centrífuga parando.

O Vacon tem um recurso para lidar com o segundo caso: o controlador de sobretensão (ID 607). Com ele ativo, o drive alonga a rampa automaticamente quando o barramento sobe, em vez de desarmar. É útil, mas é um paliativo: se a aplicação precisa mesmo dissipar energia, o caminho correto é resistor de frenagem com o chopper habilitado (ID 504).

Causas Mais Comuns

Rampa de desaceleração curta demais para a inércia. É a causa número um. O tempo de desaceleração (ID 104) foi copiado de outra máquina ou ajustado com a máquina vazia e não comporta a inércia real com carga. O F2 aparece sempre no mesmo ponto do ciclo.

Carga que empurra o eixo. Talha e elevador descendo, transportador em declive, desbobinador, centrífuga em parada. Nessas aplicações o motor passa boa parte do tempo regenerando, e sem caminho para essa energia o F2 é questão de tempo.

Resistor de frenagem ausente, subdimensionado ou desconectado. Muito painel tem o resistor previsto em projeto e nunca instalado, ou instalado e depois removido numa manutenção. Vale medir a resistência nos terminais e conferir se o chopper está habilitado por parâmetro.

Chopper de frenagem inoperante. O resistor está lá, íntegro, mas o transistor de frenagem não comuta. O barramento sobe como se o resistor não existisse. O sintoma é F2 apenas na desaceleração, com o resistor frio ao toque depois do evento.

Tensão de alimentação alta ou com surtos. Rede acima da faixa nominal, transformador com tap errado, manobra de banco capacitivo próxima. Aqui o F2 aparece de forma aleatória, sem relação com o ciclo da máquina, e às vezes junto com F1 em outros drives do mesmo painel.

Controlador de sobretensão desabilitado. Em drive substituído ou reparametrizado, o ID 607 pode ter voltado ao padrão desligado. A máquina que rodava perde a proteção suave e passa a desarmar.

Capacitores do barramento no fim da vida. Capacitor eletrolítico envelhecido perde capacitância e ESR sobe. A capacidade de absorver picos cai, e o mesmo ciclo que funcionava há anos passa a gerar F2. Costuma vir acompanhado de F9 intermitente na partida.

Retificador de entrada com diodo comprometido. Menos frequente, mas acontece: ondulação alta no barramento faz o pico ultrapassar o limite mesmo com a tensão média correta. Só se vê com osciloscópio na bancada.

O Que Fazer

  1. Anote em que momento do ciclo o F2 aparece: partida, regime ou desaceleração. Só isso já separa causa externa de causa de processo.

  2. Aumente o tempo de desaceleração (ID 104) em passos e observe. Se o F2 some, a energia vinha da inércia.

  3. Verifique se o controlador de sobretensão (ID 607) está habilitado antes de mexer em qualquer outra coisa.

  4. Confira a existência e o estado do resistor de frenagem: resistência medida nos terminais, cabos íntegros, chopper habilitado (ID 504).

  5. Toque no resistor de frenagem logo após uma desaceleração. Resistor frio em aplicação regenerativa significa que ele não está trabalhando.

  6. Meça a tensão de alimentação nas três fases, em regime e no momento da falha se possível, e compare com a faixa nominal do drive.

  7. Registre a tensão de barramento pelo monitor do próprio painel durante um ciclo completo da máquina.

  8. Se o F2 vier acompanhado de F9 intermitente ou de partida difícil, suspeite dos capacitores do barramento — isso é bancada, não campo.

Vale Reparar ou Trocar

Boa parte dos casos de F2 não é defeito do inversor. Rampa curta, resistor ausente e carga regenerativa são problemas de projeto e de parametrização: o drive está protegendo o próprio estágio de potência. Trocar o equipamento nesse cenário só transfere o problema para o próximo.

Quando a causa é interna — chopper que não comuta, capacitores no fim da vida, retificador com diodo comprometido — o reparo é direto e favorável. São itens identificáveis, substituíveis e testáveis com carga na bancada.

O critério da Ozora é objetivo: se o reparo passa de 30% do valor de um equipamento novo equivalente, a recomendação é trocar. Recapacitação de barramento e reparo de circuito de frenagem ficam tipicamente entre 10% e 25%. Diagnóstico gratuito e orçamento só depois do laudo.

Como a Ozora Resolve

Na bancada dá para acompanhar a tensão de barramento com osciloscópio durante ciclos de aceleração e desaceleração controlados, medir capacitância e ESR dos capacitores e confirmar se o chopper comuta de verdade com carga. É esse conjunto que responde a pergunta que importa: o drive falhou ou o drive protegeu.

Coleta, diagnóstico, laudo técnico em até 24h com o que foi encontrado, orçamento, reparo a nível de componente, teste em bancada com carga e devolução com garantia de 180 dias. Quando a causa raiz é a aplicação, o laudo traz a recomendação de rampa e de frenagem. Veja mais sobre a manutenção de inversor Vacon na Ozora.

Perguntas Frequentes

Posso simplesmente aumentar a rampa e esquecer o assunto?

Em muitas máquinas, sim — se o tempo maior de parada não atrapalha o processo. Em aplicação com carga que empurra o eixo, não resolve: a energia continua chegando ao barramento e o caminho correto é resistor de frenagem dimensionado.

O controlador de sobretensão substitui o resistor de frenagem?

Não. Ele alonga a rampa para evitar o trip, o que ajuda em inércia moderada. Em içamento, esteira em declive ou desbobinador, ele só adia o problema e deixa a máquina lenta.

F2 aparece sem relação com o ciclo da máquina. O que investigar?

Alimentação. Tensão acima da faixa, tap de transformador errado e manobra de banco capacitivo próximo são as suspeitas. Vale registrar a tensão de rede por alguns dias antes de mexer no drive.

F2 pode ser capacitor velho?

Pode, e é uma causa subestimada. Capacitor com capacitância reduzida absorve menos pico. Quando o F2 aparece em equipamento com muitos anos de campo e o ciclo não mudou, o barramento entra na lista de suspeitos.

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BB
Escrito e revisado por Bruno BuenoCEO da Ozora Soluções · Atualizado em 24 Jun 2026

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